Reunião sobre segurança expõe contraste entre dados oficiais e sensação da comunidade
A entrega do abaixo-assinado por mais segurança no Continente, realizada na segunda-feira (8), no auditório da Udesc Cefid, revelou uma diferença significativa: enquanto moradores relataram aumento da criminalidade, autoridades apresentaram estatísticas que apontam estabilidade ou até queda nos números.

Moradores de bairros como Coqueiros, Abraão e Estreito trouxeram ao debate a percepção de que a violência aumentou. Em contrapartida, a comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Clarissa Dias Soares, afirmou que foram registrados 30 furtos em Coqueiros e adjacências nos 30 dias anteriores – número que ela considera baixo diante da população local.
Segundo a oficial, há aumentos pontuais durante grandes eventos, sobretudo no Estreito, quando cresce o furto de celulares, mas a média geral se mantém estável: “menos de 10% para baixo ou para cima”.

O delegado Pedro Henrique Mendes, diretor da Polícia Civil da Grande Florianópolis, ressaltou que os índices caíram de forma “vertiginosa” em Florianópolis e em Santa Catarina como um todo, se comparado com igual período do ano passado. Ele lembrou ainda que a delegacia do Continente é uma das únicas da Capital a funcionar 24 horas.
Subnotificação pode distorcer o cenário
Tanto a Polícia Militar quanto a Civil alertaram para a importância de registrar Boletins de Ocorrência, mesmo em casos de furtos de pequeno valor. A subnotificação poderia explicar parte da discrepância entre o sentimento da população e os números oficiais.
Ações anunciadas pela Secretaria de Segurança

A secretária de Segurança Pública e vice-prefeita, Maryanne Mattos, apresentou medidas em andamento para o combate à criminalidade. Entre elas, o investimento em inteligência, videomonitoramento e ações integradas com outras forças de segurança e empresas como a Celesc.
Ela destacou a revitalização da área do viaduto da Chico Mendes, que incluiu a retirada de ferros-velhos clandestinos envolvidos em receptação de produtos furtados. Também informou que está em fase final a licitação para implantação de fiscalização eletrônica em frente a escolas e um convênio com o Detran para leitura de placas de veículos roubados.“Estamos fazendo o dever de casa”, garantiu.
Canal de diálogo aberto
Para o presidente da Associação de Moradores de Coqueiros (Pró-Coqueiros), Leonardo Contin, a reunião de entrega do Abaixo-Assinado – que reuniu quase mil assinaturas — foi fundamental por aproximar comunidade e agentes públicos:
“O ato abriu um canal de diálogo extremamente importante para tratarmos da segurança do Continente.”








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