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  • Ori Boteco

Memórias: como era passar as férias na região de Coqueiros

12 de maio de 2023
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A primeira vez que entrei na Ilha, pela Ponte Hercílio Luz, suei frio. Meu pai conduzia um Corcel II  branco rodando sobre pranchões de madeira barulhenta ao peso dos veículos.  Nunca tinha visto aquilo em uma cidade. Só no mato, onde as pontes são de  madeira. 

Naqueles tempos, a dinâmica social Ilha-Continente era muito diversa. Sair ou  chegar na Ilha ou no continente significava uma atividade planejada. Mais ainda se fosse de barco, quando uma virada do vento impedia muitas vezes o retorno  no mesmo dia.  

Quem era da Ilha pouco se deslocava para o continente. Nossa família fazia isto  no começo das férias, quando alugava uma casa para veraneio em Itaguaçu.  Carro cheio de compras feitas na Cobal da Mauro Ramos e lá se ia atravessar a  ponte com o coração na mão. 

As casas eram de madeira com alpendres onde se colocavam redes de embalar. Eram dias maravilhosos onde a gurizada fazia amizade e jogava bola  na praia. Peixe fresco capturado no dia pelos pescadores de forte sotaque açoriano manezinho.

O tempo parecia ter a sua própria dinâmica: escoava ao  longo dos dias, nos prolongados passeios pela orla e nas brincadeiras infantis  que invadiam a noite. Ao mesmo tempo, ele voava, nos avisando que aquela  doce calmaria estava contada. 

O tempo parecia ter uma certa urgência, lembrando que essa doce calmaria era limitada e que a volta para a vida normal era inevitável. A mistura dessas sensações cria um retrato vívido das férias de verão, onde o tempo parecia fluir de maneira diferente e os momentos de alegria e felicidade eram apreciados com intensidade, mas com a consciência de que não durariam para sempre.

Ao final das férias em Itaguaçu, a velha ponte Hercílio Luz era a passagem mágica de volta à realidade mais agitada do centro de Floripa. O retorno significava a retomada das rotinas diárias, as pressões do estudo no IEE e as demandas da vida urbana.

Para aqueles que passaram férias na Ilha, a ponte era um símbolo tangível de sua experiência, uma ligação entre dois mundos bem diferentes. Cruzar a ponte significava deixar para trás a simplicidade e a tranquilidade das férias e voltar a enfrentar os desafios de uma vida mais corrida.

No entanto, a ponte também servia como um lembrete das maravilhas do Continente, e as memórias das férias eram transportadas através dela para a Ilha. Como tal, a ponte  não era apenas um ponto de conexão física, mas também um símbolo da conexão emocional entre terras separadas pelo mar.

Eduardo Sguario dos Reis

Mané por opção, gateiro raiz e democrata convicto. Tem as pessoas em primeiro lugar. Gosta do debate, do contraditório e de novas idéias.

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