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A Arte de Cultivar Amizades

20 de julho de 2025
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por Eduardo Sguario *

Juventude e descobertas intelectuais

A primeira delas surgiu na juventude, um período que costumo chamar de “crescimento do cérebro”. Este foi um tempo de intensas descobertas pessoais, quando fui introduzido ao mundo fascinante da música, da matemática e da literatura. Meu amigo e eu compartilhamos uma curiosidade insaciável por esses temas, e juntos exploramos o universo sonoro de Bach, Vivaldi e Beethoven.

 Nas páginas de Machado de Assis, Érico Veríssimo e Josué Guimarães, encontramos personagens que nos acompanharam em nossas jornadas de autoconhecimento. A trilogia “O Tempo e o Vento” de Veríssimo, que narra a formação do estado do Rio Grande do Sul, tornou-se nosso guia para entender a complexidade das relações humanas e históricas.

Resistência e criatividade

Avançando para a década de 70, em Santa Catarina, veio uma nova amizade durante minha formação em engenharia no tumultuado período da ditadura militar. Nesta etapa, eu estava focado em construir meu lugar no mundo social e profissional. O amigo desta fase foi meu companheiro de jornada enquanto navegávamos pelas restrições em um campus universitário regido a mão de ferro.

O regime tentava impor um modelo comparável ao fordista: previsível e uniformizado. “Podem escolher qualquer cor, desde que seja preto”, era a máxima que resumia a realidade. No entanto, juntos, encontramos maneiras de expressar nossa individualidade e criatividade, mesmo que dentro dos limites restritivos da época.

 Essa amizade me ensinou resiliência e a importância de se adaptar ao que a “banda tocava”, sem perder a essência.

Liberdade de escolhas

 Finalmente, chego ao terceiro amigo, uma relação que perdura até hoje e que nasceu no ambiente profissional. Com ele aprendi que a amizade é um espaço onde concessões não são apenas permitidas, mas necessárias, e que flexibilidade e empatia são fundamentais para manter qualquer relacionamento saudável e duradouro.

O legado das amizades

Cada um desses amigos, em suas respectivas épocas e contextos, me ensinou lições preciosas que eu não poderia ter concebido por conta própria. Com eles, aprendi que a verdadeira liberdade não é apenas uma descoberta introspectiva, mas algo que criamos ativamente. É através das amizades que experimentamos novas formas de amar e viver, e é nelas que encontramos o espelho de nossos próprios desejos e aspirações.

A verdadeira liberdade não é apenas uma descoberta introspectiva, mas algo que criamos ativamente. É através das amizades que experimentamos novas formas de amar e viver.

Ao olhar para trás, percebo que a importância das amizades não está apenas nas lembranças partilhadas ou nas risadas ecoadas ao longo dos anos, mas na profunda influência que elas têm sobre nossa forma de ser e de ver o mundo. E por isso, posso afirmar com certeza: foi bom, pra caramba, ter tido amigos assim.

Eduardo Sguario dos Reis

Mané por opção, gateiro raiz e democrata convicto. Tem as pessoas em primeiro lugar. Gosta do debate, do contraditório e de novas idéias.

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