A história do Abraão passa pela Petisqueira do Manau
Não há como falar sobre o Bairro Abraão sem lembrar a Petisqueira do Manau, ponto de encontro etílico-gastronômico que ficava no final da João Meirelles, em frente aos então campinhos de futebol, que hoje são ocupados pelos três condomínios da Cyrela. Era lá que batiam ponto moradores como Cláudio Alvim Barbosa (o Zininho), Chico Amante, Lauro Soncini, Helinho Lange (o Paru) e, também, o jornalista Aldírio Simões. Ninguém resistia à dobradinha, ao mocotó e aos quitutes servidos pela Sandra, pela Claudinha e pela Soninha, filhas do Manau, o proprietário.

Foi lá que nasceu, em novembro de 1992, o Intocáveis Futebol Clube, que reunia gente de todas as idades e preparos físicos. Tinha desde atletas de cabelos brancos e barriga um pouco avantajada até garotos com bom fôlego para correr atrás da bola. Sem discriminação e com muito humor, eles se reuniam duas vezes por semana nos campos de futebol suíço existentes no Abraão para bater uma pelada e, é claro, comemorar o resultado com a cerveja bem gelada do Manau.
Flâmulas e faixas do Avaí e do Vasco da Gama – os times do coração do Manau – decoravam o ambiente, bem como um aparelho de televisão, que em dia de jogo prendia a atenção dos frequentadores.
Mas como começou a Pestiqueira do Manau?
Para responder a esta pergunta, o Blog do Abraão foi conversar com a dona Aurinha, companheira de 38 anos do Manau. Ela era de Itaguaçu. Ele morava no Abraão. O romance começou numa festa de Nossa Senhora dos Navegantes, promovida pela igreja, que ficava junto a agora rótula da João Meirelles, em Itaguaçu. Pouco mais de um ano depois, já estavam casados. Com 20 anos, Manau trabalhava como garçom, já dona Aurinha costurava para fora.
A petisqueira nasceu quando a mãe do Manau, a Dona Chiquinha (exímia coletora de berbigão), ofereceu a frente de sua casa para a construção de um bar/restaurante. “O pessoal do bairro todo se reunia lá”, lembra-se dona Aurinha. Um dos orgulhos dela e do Manau era a festa oferecida às crianças do bairro no Natal e, também, no Dia da Criança. “A garotada já sabia que em dezembro havia festa. Eram servidos refrigerantes, bolos e bolachas. Todos saíam com um saco de balas e doces”, afirma. Era uma iniciativa que mobilizava a comunidade.
Manau tinha um coração enorme, mas uma coisa o tirava do sério: ver algum frequentador se “engraçar” com uma das filhas – todas muito bonitas. Ciumento, ele já fechava a cara e olhava carrancudo. Das quatro filhas, apenas Carmen não chegou a trabalhar na petisqueira.
Com problemas de ácido úrico, aos poucos a saúde de Manau começou a se debilitar, dificultando cada vez mais a sua mobilidade e obrigando-o a se deslocar de táxi de sua casa à petisqueira, a poucas quadras de onde morava.
Faleceu com 57 anos, há 25 anos. A família ainda manteve por algum tempo o estabelecimento, mas acabou optando por fechá-lo. Encerrava-se ali um período que fez história no Abraão.
Fotos: Acervo da família











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