Lutando pela vida – Programa Saúde sem Quedas
* Professora Dra. Deyse Borges Machado
Pessoas que estudam o envelhecimento humano deparam-se com uma infinidade de aspectos a respeito desta fase do ciclo da vida. Dados demográficos atuais trazem uma estimativa de que, em 2050, 30% da população do país será idosa. Isso aumenta necessidade de cuidados com a saúde desta faixa etária.
Como o processo natural de envelhecimento acarreta uma série de desafios precisamos estar atentos, pois declínios relacionados as condições biopsicossociais irão afetar toda a vida do idoso.
Decorrente destes aspectos, aumenta o risco de ocorrência de quedas. Elas são multifatoriais, isto é, estão relacionadas a diferentes aspectos. Os aspectos intrínsecos estão associados as nossas características físicas e os extrínsecos são os fatores externos. Com relação aos fatores extrínsecos, por exemplo, o risco se eleva quando
- o idoso é sedentário
- tem hipertensão não controlada
- há o uso inadequado de alguns tipos de calçados ou casas não adaptadas para segurança.

Quando o idoso é avaliado quanto a estes aspectos, além dos testes clínicos e funcionais que são realizados, conseguimos estabelecer seu risco de queda.
Além disso existe o Ciclo da Queda que acaba potencializando um agravamento do risco de cair. Algumas pessoas que caem ficam mais introspectivas, movimentam-se menos, permanecem mais tempo sentadas.
Desta forma sua condição biospsicosocial é afetada, o que repercute na ocorrência de novas quedas. Existem pessoas que tem medo de cair outras não. Depende de uma série de aspectos relacionados a percepção corporal e vivências relacionadas à segurança e saúde.
Dez anos atrás iniciamos no Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina a desenvolver um trabalho com a comunidade com o tema Avaliação e Prevenção do Risco de Quedas. Este projeto expandiu-se e hoje caracteriza o Programa Saúde sem Quedas, no âmbito do Ensino, Pesquisa e Extensão com a comunidade.
Após divulgação do Programa (Instagram: @saudesemquedas), os idosos são convidados a manifestar seu interesse voluntário em ter seu risco de queda avaliado e a participar de um programa de treinamento para prevenir a possibilidade de cair.
São agendadas as avaliações após encaminhamento clínico para participação do programa. Estas são determinantes no planejamento das intervenções.
O Saúde sem Quedas abrange os seguintes aspectos:
• Avaliações (Pré e Pós-Intervenções)
• Educação em Saúde • Treinamento Físico Presencial
• Treinamento Físico – exercícios domiciliares
• Eventos e Encontros Científicos sobre o tema
Todas as atividades são realizadas no período vespertino no CEFID/UDESC, localizado no Bairro de Coqueiros.
Queda é um evento inesperado, é um acidente. Pode ocorrer, por exemplo, após um tropeço, um escorregão ou até mesmo perda de equilíbrio.
Fale a respeito, converse com sua família, converse com seus amigos, converse com os profissionais da saúde. Crie em conjunto estratégias que diminuam o risco de cair. Previna seu risco de quedas. Seja fisicamente ativo e melhore sua qualidade de vida. Cuide de você mesmo.

Deyse Borges Machado é coordenadora do Programa de Extensāo Saúde sem Quedas e do Laboratório de Biomecânica do CEFID/UDESC. Possui Mestrado em Ciência do Movimento Humano pela Universidade Federal de Santa Maria (1994), Doutorado em Biomecânica pela Universität Konstanz (1999) e Post-Doc pela Universität Duisburg-Essen (2005), ambas na Alemanha. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Biomecânica no período 2005-2007.
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